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quarta-feira, 5 de abril de 2017

Hidronefrose Fetal



Com os avanços nos métodos dos exames de imagem nas últimas décadas, houve um grande aumento na detecção de malformações ainda durante a gestação. Atualmente estima-se que são diagnosticadas 90% das malformações estruturais durante os USG do pré-natal. 
A hidronefrose fetal é uma malformação onde ocorre dilatação da pelve renal, ela pode ser unilateral ou afetar os dois Rins. A prevalência da hidronefrose fetal é de cerca de 2%, sendo persistente após o nascimento, em cerca de 50% desses pacientes. 
Com esse avanço no diagnóstico das dilatações renais houve a necessidade de estabelecer quais seriam os critérios para definir quando há uma alteração que exija um seguimento após o nascimento, ou até mesmo alguma intervenção durante a gestação, além de definir  quando há necessidade do acompanhamento especializado com nefrologista pediátrico ou urologista/cirurgião pediátrico.
Quando há um diagnóstico de hidronefrose durante o USG morfológico, que geralmente é feito por volta da 20 semana de gestação, há um acompanhamento dessa dilatação, com medidas sequenciais do tamanho da pelve renal, e de outras estruturas do trato urinário, como ureteres e bexiga. Considera-se de maior risco as dilatações maiores que 10mm. Outros fatores de risco associados são: dilatação bilateral, dilatação grave unilateral (pelve > 15mm), oligodramnio (pouco líquido amniótico), afilamento do parenquima renal, dilatação ureteral e alterações na bexiga. 
A partir dessa classificacao de risco, será programada a necessidade de investigação após o nascimento. Quando há fatores de risco associados há a necessidade de uma avaliação especializada, para definição diagnostica e início de tratamento adequado para prevenir perda futura de função renal. Nos casos em que há dilatação leve, unilateral, sem outras alterações, o pediatra poderá fazer o acompanhamento inicial, com realização de um USG após o nascimento, já que em metade dos bebês diagnosticados com hidronefrose ela será apenas transitória. E se achar necessário irá encaminhar para seguimento com o especialista.



Os exames solicitados após confirmação do diagnóstico serão definidos de acordo com cada caso, e não necessariamente, todos precisarão ser feitos. No geral após o USG do bebê confirmando a hidronefrose, será realizada uma cintilografia renal. Na verdade existem 2 tipos de cintilografia renal, uma que nos dá informações sobre a função dos rins e outra que nos dá indicação de que as vias urinárias, ou seja, todo o trajeto que a urina percorre desde sua formação até sua eliminação, está pervio. São exames de medicina nuclear, com necessidade de punção de um acesso venoso para aplicação da medicação que será vista na leitura do exame. Importante lembrar que essa medicação não é um contraste. 
Outro exame que poderá ser solicitado é a uretrocistografia miccional, este exame nos mostra a anatomia interna da bexiga e também o aspecto da uretra, além de fazer o diagnóstico da presença de refluxo vesico-ureteral, que é quando há retorno de urina da bexiga para dentro do rim. É também um exame invasivo, onde o contraste é colocado na bexiga através de uma sondagem da uretra. 
Em alguns poucos casos pode haver a necessidade  de outros exames para estudo anatômicos do trato urinário, como urotomografia ou ressonância magnética.
Como são exames invasivos, com alguma carga de radiação, e alguns até com necessidade de sedação da criança, devem ser solicitados com certos critérios. Hoje em dia já não se recomenda uma avaliação igual para todas as crianças, cada caso deverá ser orientado de acordo com sua necessidade e diagnóstico mais provável. 
Se você foi diagnosticada com alteração renal do seu bebê, converse com seu obstetra e com o pediatra que fará o acompanhamento do seu filho, ou agente uma consulta com um Nefropediatra, mesmo durante a gestação,para tirar dúvidas e já planejar o seguimento do quadro. 

Se tiver alguma dúvida me mande um e-mail: dradesireetavares@gmail.com




sexta-feira, 10 de março de 2017

Rim e Vitamina D

A vitamina D é uma molécula derivada do colesterol que apresenta um metabolismo muito complexo, evolvendo muitos órgãos e sistemas do nosso corpo. Nos últimos anos essa vitamina ganhou destaque pois com o avanço dos estudos em relação aos seus efeitos no nosso corpo,foi visto que ela atua em múltiplas funções, não apenas no metabolismo ósseo.
Estudos epidemiológicos mostram um alto índice de deficiência de vitamina D na população em geral em todo o mundo. No Brasil, cerca de 60% dos adolescentes e até 80% dos idosos têm níveis insuficientes dessa vitamina. 
Um fator de risco para deficiência de vitamina D é a presença de Doença Renal Crônica, já que o rim tem um papel fundamental na sua produção. Nestes doentes a deficiência desta vitamina aumenta o risco de complicações cardiovasculares e alterações do metabolismo ósseo. Outro dado de destaque é que alguns estudos sugerem um efeito protetor da vitamina D sobre a progressão da doença renal, então sua suplementação seria vital para aumentar a sobrevida do rim nestes doentes.
A vitamina D pode ser conseguida através da dieta, principalmente a partir de alimentos de origem animal como peixes gordurosos de águas profundas (Vitamina D3 ou Colecalciferol), e de alguns produtos vegetais (Vitamina D2 ou Ergosterol), mas isso representa menos de 20% do total de vitamina D que nosso organismo necessita. O restante da vitamina D será produzida pelo nosso próprio corpo.






Essa produção se inicia na pele, a partir de moléculas derivadas do colesterol que sofrerão ação da luz solar, especialmente dos raios UVB, que as transformarão em Vitamina D3 (Colecalciferol). A quantidade de exposição solar necessária  para o metabolismo deste precursor de vitamina D produzido na pele, apresenta algumas variáveis:

  • Quantidade de melanina presente na pele: quanto mais pigmentada a pele, maior o tempo necessário. É como se a melanina "disputasse" o sol com o precursor de vitamina D.
  •  Faixa etária: com o envelhecimento há o afinamento da derme e da epiderme, com consequente menor acúmulo de precursores de vitamina D.
  • Latitude de onde a pessoa vive: quanto mais próximo da linha do equador, maior a insolação local (devido ao maior comprimento de onda UVB), maior a quantidade de raios solares atingem a pessoa. 
Após essa primeira etapa, o Colecalciferol e o Ergosterol serão transportados até o fígado onde passarão por uma nova transformação. As duas moléculas serão metabolizadas na forma inativa da Vitamina D, chamada de 25-hidroxivitamina-D ou Calcidiol.
Para se tornar a forma ativa da vitamina ainda é necessária mais uma etapa de metabolização. Várias células no nosso corpo apresentam o mecanismo necessário para essa conversão, mas o local principal onde ela ocorre é no Rim. Nas células renais será sintetizada a 1,25-diidroxivitamina-D ou Calcitriol, forma ativa da vitamina D, que irá atuar em múltiplos locais no nosso corpo.




Dentre as funções conhecidas da vitamina D estão:

  •  Metabolismo Ósseo: com adequada mineralização e crescimento ósseo em crianças e adolescentes e manutenção da saúde óssea em todas as demais faixas etárias. 
  • Sistema Imunológico: além de atuar regulando as células de defesa, como os linfócitos, também atua modulando a autoimunidade, reduzindo o risco de doenças autoimunes.
  • Ciclo Celular e Neoplasias: o Calcitriol participa do controle de múltiplas etapas do ciclo celular, regulando eventos de diferenciação, multiplicação e apoptose celular, sua deficiência estaria ligada a um processo de multiplicação celular desregulado e inibição da apoptose(autodestruição celular), com chance aumentada de desenvolvimento de alguns tipos de câncer, como de mama, próstata e colorretal.
  • Gônadas: estudos moleculares sugerem que a vitamina D atua na espermatogênese e na foliculogênese, estando relacionada com a fertilidade do indivíduo.
  • Sistema Cardiovascular: age em células cardíacas, dos vasos sanguíneos e de células renais atuando na regulação do sistema renina-angiotensina-aldosterona que é responsável pelo nosso controle pressórico.
  • Controle glicêmico: evidências sugerem que atue diretamente nas células pancreáticas que são responsáveis pela produção de insulina.



Muitos estudos ainda estão sendo feitos sobre as funções da vitamina D. Já foram descobertos mais de 40 produtos do seu metabolismo, então novidades devem vir por ai.
Consulte o seu médico para verificar sua taxa de vitamina D, se alimente bem e tome banho de sol diário, aproveite para fazer alguma atividade física ao ar livre.

"Estilo de vida saudável para rins saudáveis"












quinta-feira, 2 de março de 2017

O que é doença renal crônica?


Uma doenca é considerada crônica quando ela é progressiva e irreversível. A doença renal crônica (DRC), portanto é a doença que afeta os rins levando a perda progressiva da sua função, sendo uma doença sem cura. O tecido renal termina sua formação por volta da 34 semana de gestação e após este período não há formação de novas células renais, o que significa que o tecido renal perdido em decorrência de qualquer agravo, não irá se regenerar. 
A Doença Renal Crônica é classificada em estágios que variam de 1 a 5, de acordo com a presença de lesão renal associada ao "clearence" estimado. O clearence representa a capacidade de o organismo eliminar determinada substância, estimando de maneira indireta a quantidade que os rins estão funcionando. Uma maneira de definir o clearence é a partir de um cálculo que usa a dosagem da CREATININA. A dosagem da creatinina é feita através da coleta de uma amostra simples de sangue. Está é a maneira mais usada para calcular a função renal em pediatria. Dentro desta classificação o estágio 1 de DRC é descrito como presença de uma lesão renal, malformação por exemplo, mesmo que o rim ainda seja capaz de executar todas as suas funções, ou seja, o clearence estimado está dentro da normalidade, mas a presença de uma lesão no tecido renal já indica que esse rim pode perder progressivamente a sua função, e deve-se manter vigilância para minimizar ou retardar a velocidade dessa perda. Os próximos estágios são classificados de acordo com a redução do clearence de creatinina, sendo o estágio 5 chamado de Doença Renal em Estágio Terminal (DRET), momento no qual há a indicação de terapia de substituição renal (TSR), através de diális ou transplante renal. Importante salientar que a doença se mantém assintomática até por volta do estágio 4, ou seja, quando a perda da função já é bem pronunciada.
A DRC atinge cerca de 10% da população mundial, com aproximadamente 2,7 milhões de pacientes em terapia de substituição renal. A incidência de DRC em crianças é muito menor do que em adultos, porém na faixa etária pediátrica ela traz efeitos devastadores sobre o crescimento e o desenvolvimento da criança. Estima-se que no Brasil existam cerca de 1.300 pacientes pediátricos em diálise. 
A DRC também difere do adulto no que se refere a causa para a perda de função renal. Enquanto no adulto hipertensão e diabetes estão entre as principais causas, na pediatria as malformações renais aparecem como causa principal, portante qualquer alteração identificada em exames de rotina, mesmo durante o pré-natal deverão ser avaliadas para a possibilidade de alteração funcional do rim.
Quando se institui o tratamento nos estágios iniciais da doença, há possibilidade de retardar a evolução para o estágio terminal, aumentando o tempo de sobrevida renal, melhorando as condições físicas do paciente enquanto a doença progride e preparando a criança e a família para o momento de início de diálise ou para o transplante renal. Desta maneira o paciente chega a Terapia de Substituição Renal  em melhores condições clínicas e mais tardiamente. Por isso é tão importante o diagnóstico precoce e inicio de tratamento o mais rápido possível, pois isso minimiza os riscos de complicações ao longo da evolução da doença e uma melhor qualidade de vida para o paciente. 







quarta-feira, 1 de março de 2017

Dia Mundial do Rim

O Dia Mundial do Rim é celebrado na segunda quinta-feira de março de cada ano. Este ano será no dia 09/03. É um dia dedicado a promoção de educação sobre a doença renal crônica, sua prevenção e  a importância do diagnóstico precoce. A cada ano um tema é selecionado para ser debatido e vários projetos de educação sobre este tema são realizados.
O tema desse ano é OBESIDADE.
A obesidade já é considerado um problema de saúde pública mundial, com números crescentes a cada ano. Atualmente cerca de 600 milhões de pessoas no mundo são obesas, no Brasil quase 50% da população está acima do peso, com 20% da população pediátrica apresentado obesidade segundo dados do Ministério da Saúde.
Esse crescimento expressivo está relacionado com a mudança no padrão de alimentação, com o aumento do consumo de alimentos ultra processados, ricos em açúcares e gorduras, associado ao aumento do sedentarismo.
A obesidade é um fator de risco importante para o desenvolvimento de Doença Renal Crônica, além disso, é um fator de risco também para o desenvolvimento das 2 doenças responsáveis pelo maior número de doentes renais crônicos no mundo, que são Hipertensão e Diabetes.
A boa notícia é que a Obesidade é um fator de risco modificável, ou seja pode ser prevenido. Portanto, modificações no estilo de vida, com uma alimentação saudável e exercícios físicos podem diminuir drasticamente o risco de desenvolver insuficiência renal.